Feminista sim, machista nunca?
Publicado; maio 16, 2012 Filed under: Feminismo, Música, Opinião | Tags: Falso Moralismo, Funk Carioca, Gosto musical, Questão de gênero, Sexismo 2 Comments »Mais uma vez saio do minha zona de conforto britpop-e-platonismo-amoroso para tratar de uma manifestação cultural que, nos últimos anos, vem ecoando dos morros para todos os cantos do país: o Funk Carioca.
Noto que a ojeriza com relação ao Funk, protagonizada por alguns, deriva de uma visão tão elitista e rasa que é incapaz de contemplar o porquê do movimento funkeiro encarar a vida da maneira de como ela é retratada nas canções. Já espalhei muito esse tipo de opinião pelos quatro ventos, porém percebi que apontar o dedo em riste para a música da marca do fogão em favor da moral, da família e dos bons costumes reacionários, ao invés de compreender as pessoas que integram essa manifestação e sua realidade, só tem utilidade mesmo para reforçar o argumento de que a voz dessa gente deveria permanecer como sempre esteve; de preferência somente dentro dos limites das comunidades carentes do Rio de Janeiro e fora do cantinho de seres iluminados e privilegiados.
Contudo, continuo não apreciando o estilo, mas consigo compreender perfeitamente que o Funk é uma expressão artística como qualquer outra, separando o preconceito social arraigado em mim do que simplesmente agrada meus ouvidos musicalmente, como batidas e qualidade vocal de alguns intérpretes.
Segundo o texto de Carla Rodrigues no site da revista Superinteressante, o Funk serve para expressar a massacrada e fiscalizada sexualidade das mulheres e que suas porta-vozes desafiam o padrão de formosura etnocêntrico sem deixar de despertar a libído em seus espectadores. Ok, ponto para as funkeiras!
Todavia, o que preocupa – não somente no Funk, mas em outros seguimentos musicais – é pretensa uma liberdade sendo utilizada com disfarçe de um machismo virulento perpetrado por tanto homens e mulheres do movimento.
O ovacionado Mr. Catra me parece ser uma síntese do que acabei de dizer, tudo graças a uma entrevista concedida ano passado ao mancebo politicamente incorreto Danilo Gentili; que causou sérios danos ao meu estômago e que me condicionou a ter paúra toda vez que o Catra fizer movimento de boca para articular as suas palavras hiper amistosas de um legítimo gentleman.
No vídeo, Mr. Catra se declara como feminista só pelo fato dele gostar de se envolver sexualmente com mulheres. Risos eternos. Pena que o funkeiro não saiba (ou talvez finja desconhecer) que ser feminista não tem nada a ver com usar mulheres como objeto de masturbação vivo e como receptáculo de sêmen, e sim com a valorização destas como seres humanos cheias de subjetividade. Em outro momento da entrevista, Catra solta a inacreditável pérola de que os homens não podem se comparar com mulheres por elas “darem” de quatro (!!!). Ou seja, o cidadão apenas visualiza o sexo com uma relação de poder que desconsidera a ideia de que a mulher é dotada da capacidade igual a dele de sentir prazer.
Só rindo para não chorar por conta desse absurdo regurgitado pelo cidadão aí…
Clitóris não é que nem aquela caneta horrorosa que não pega em papel nenhum que você ganhou da firma ou na época de campanha eleitoral. Não é um brinde inútil da natureza. Mas mesmo assim ele é sumariamente menosprezado e/ou esquecido no reino unilateral do falo.
Outro instante que não poderia deixar passar em brancas nuvens, que não se relaciona com tema deste artigo, foi o fato do cantor ter se convertido ao judaísmo e, a seguir, ser alvo de gargalhadas da plateia sem noção. Para mim isso não foi engraçado, pois ele tem direito de seguir a doutrina que bem entender mesmo que ela pareça ser contraditória ao modo que Catra leve sua vida. Risível foi a reprimenda do apresentador pimpão ao seu público, já que ele foi responsável pela piadinha que compara moradores deslumbrados e classistas do bairro de Higenópolis com judeus que sofreram o diabo em um campo de concentração nazista na Polônia. Também, depois de calçar as sandálias da humildade e ir se redimir junto aos representantes do povo israelita no Brasil, é compreensível que o gatão estivesse escaldado mesmo…
Portanto, apesar de concordar com texto da Carla, muito ainda há de ser feito que faça o Funk se livrar das amarras da desigualdade para que muitas “glamurosas” possam descer até o CHÃO, CHÃO, CHÃO, CHÃ-CHÃ-CHÃO em paz, sem pentelhagem de gente da patrulha do corpo alheio.
O bunga-bunga televisivo: Il Corpo Delle Donne
Publicado; maio 6, 2012 Filed under: Feminismo, Opinião | Tags: Documentário, Il Corpo Delle Donne, Mídia, O Corpo Das Mulheres, Sexismo Leave a comment »Mais uma vez estou chutando para escanteio a música (leia-se vídeo-clipes) que, na maioria das vezes, ilustram as postagens. O desapego à tradição do blog se deve pelo fato de eu não recordar mais de nenhuma canção (a não ser as do líder de uma “patrulha da neve”, que me fez até calejar os dedos de tanto citá-lo) para relacionar com os temas que quero abordar aqui.
Não consigo mensurar por quanto tempo esse blecaute vai durar, mas o meu achômetro sinaliza que a situação irá se estabelecer em breve. Enquanto esse bloqueio persiste em me atazanar, compartilho agora o tipo de entretenimento com o qual me deleitava plenamente antes da turva Era Lightbody: documentários.
Na minha ingenuidade, achava que a Banheira do Gugu e Jersey Shore, por exemplo, conseguiam atingir o ápice do ridículo e degradante com notável maestria. Porém, como a vida é uma danada que só, ela aponta para um fato que parece muito mais estapafúrdio que jamais pude observar, totalmente alheia à minha fissura anglo-saxã. Um fato que é mostrado através do documentário italiano O Corpo Das Mulheres de Lorella Zanardo e Marco Malfi Chindemi, que foca justamente na visão que as italianas têm sobre si mesmas tomando como base as representações midiáticas do feminino, já que cerca de 60% da audiência da TV da Itália é composta por elas. Ou seja, as italianas se enxergam por uma lente que sem dúvida alguma não as percentem, mas que pela pressão do senso comum, ela acaba por se instaurar no juizo de valor que fazem sobre sua própria imagem; algo que até aqui não se difere do bombardeio cotidiano de porcarias em que muitas brasileiras são submetidas graças ao nosso famigerado PIG.
Mas o que chamou a atenção para eu chegar a dizer que a mídia de lá parece deixar qualquer quadro de programas dominicais de fim de tarde (e de carreira) daqui no chinelo foi uma pitoresca cena do filme em que uma mulher é pendurada como um pedaço de pernil e, a seguir, ela tem as duas bandas da buzanfa carimbadas com um símbolo bem parecido com aquele selo do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil para atestar a qualidade do “produto”. Se essa jovem estivesse cheia de estrias e celulite na parte traseira tenho até receio de imaginar que tipo de certificação que ela ganharia para qualificá-la, caso se burlasse a triagem da beleza televisiva, é claro. Muitxs jogam a responsabilidade unica e exclusivamente no colo de quem se submete à humilhações televisionadas (vide a polêmica Panicat careca), porém são poucxs xs que se dão conta que a porra do sistema midiático está todo errado e se existe pessoas que se aventuram em palhaçadas über engraçadas (só que ao contrário) como essas é porque alguns são responsáveis pela criação dessa demanda, portanto nem adianta repetir o mantra do “use o controle remoto se não gosta do que vê” (zzzzZZZZzzzz) pois, além de eu querer evitar a fadiga de argumentos tão rasteiros e repetitivos, há de se notar que o aparelho não dá conta de tanta falta de opção e de sensatez nas grades de programação e intervalos comerciais, principalmente nos de cerveja. Haja!
Outro agravante que necessita ser relato é de que a representação distorcida das mulheres é veiculada por emissoras públicas daquele país, e não como as privadas daqui. Isso é ainda mais assustador porque geralmente TVs estatais são conhecidas em optar por uma programação diferenciada. Mas, pelo visto, a regra não é adotada em todos os lugares…
Também o que salta aos olhos é a quantidade de mulheres que claramente passaram por intervenções cirúgicas, devido ao terrorismo da eterna juventude imposto às mais velhas, como se só as mais novas tivessem mais valor sexual do que as outras.
Com um dos questionamentos da Lorella no vídeo abaixo, válido para todxs nós, finalizo as minhas divagações:
Do meu ponto de vista, acho que o problema das mulheres seja não ser mais capazes de reconhecer as suas necessidades. Portanto, como é possível ser verdadeiras?
Repostagem de “O ‘ismo’ que não prejudica”
Publicado; abril 22, 2012 Filed under: Feminismo, Opinião | Tags: Questão de gênero, Sexismo Leave a comment »Utilizo de todo o meu arsenal retórico (que ainda é limitado) para desmitificar o feminismo. Não sou acadêmica e não tenho habilidade de produzir textos muito rebuscados e primorosos. Creio, às vezes, que isso possa ser uma vantagem em algumas ocasiões, pois serei compreendida por um número maior de pessoas.
Foi, então, o que tentei fazer em uma postagem minha no coletivo Blogueiras Feministas, indicado no blogroll deste blog. Em troca ganhei umas “trolagens leves” no Twitter e comentários sobre o post que não consegui responder à altura por estar com a guarda baixa no momento (and it’s your fault, Mr. Lightbody! Please, stop being so fucking awesome!).
Mas, mesmo com todos esses contratempos, a minha colaboração teve uma boa porcentagem de compartilhamentos no Facebook e me proporcionou uma sensação de dever cumprido.
Dever de ter de dizer que sou feminista e que isso não parte de um desejo de superestima à um sentimento de superioridade feminina, e sim de ser valorizada e aceita como gente, um ser dotado de complexidades e capacidade de escolha, independentemente da genitália que tenho entre as pernas.
Dever de demonstrar que não faço parte de uma conspiração que pretende capar todos os homens da face da Terra com tesouras de jardineiro na calada da noite.
Dever de mostrar que tenho poder sobre as minhas decisões e meu corpo, podendo escolher se quero ser ou não dona de casa, por exemplo.
Dever de falar que não pretendo corromper ninguém, e sim tentar ceder mais espaço a quem é diferente também para atender ao conceito de democracia.
Dever de expressar que feminismo não é uma enfermidade. O machismo de cada dia que é.
O “ismo” que não prejudica
Com uma rápida pesquisa na Internet é possível descobrir que o sufixo “-ismo” é utilizado em algumas palavras para designar sistemas políticos, religiões, doenças, ideologias, etc.
Todavia, essa terminação de origem grega é somente atrelada à ideia de moléstias. Talvez isso seja decorrente da acertada mudança de “homossexualismo” para “homossexualidade”, pois essa condição (ou orientação, se preferirem) era encarada como um desvio da sexualidade pelo Conselho Federal de Psicologia até o ano de 1985.
Como o “-ismo” é geralmente relacionado a algum tipo de enfermidade, muit@s perpetuadores do status quo vigente usam-no sempre como argumento contra o feminismo, nunca contra o machismo.
Agora tente perguntar àqueles que emitem a pérola do “todo ‘-ismo’ é um percalço” sobre o conhecimento deles a respeito do feminismo para além dos estereótipos vociferados ad nauseam por aí. Certamente a única coisa que iria romper o silêncio do ambiente seria o cantar dos grilos felizes, e não as vozes das criaturas de mente “inovadora” e “genial”.
Feminismo não é uma adaptação do machismo/misoginia para mulheres. A nossa causa não tem absolutamente nada a ver com nazismo, contrariando o mantra sem graça de alguns desinformad@s.
Feministas não almejam por uma superioridade feminina, mas sim pela a mesma oportunidade de direitos e (por que não?) de deveres na sociedade sem a interferência de determinismo biológico e dogmatismo religioso ditando regras e criando entraves para nossas lutas.
Portanto, o problema não é nem tanto o sufixo. Os preconceitos que parecem nos deixar estagnad@s em concepções medievais é que são.
A estupidez convinente
Publicado; abril 13, 2012 Filed under: Feminismo, Música, Opinião | Tags: Dica, Miss Representation, P!nk, Questão de gênero, Sexismo, Stupid Girls Leave a comment »Depois de sair de um estado de preguiça colossal e de uma extrema falta de assunto, retorno a este canto virtual – mesmo não gostando novamente do que vejo quando se trata das pesquisas que o Google direciona para cá – para discorrer um pouco sobre os estereótipos que mídia e sociedade tenta, à qualquer custo, nos encarcerar.
Não sei como ainda grande parte das pessoas não se tocaram que a vasta diversidade humana não cabe nas sufocantes “caixinhas sociais”. Uns adotam este comportamento por intere$$e$. Outros por pura má-fé e/ou ausência de senso crítico.
Não estou condenando quem segue esse tipo de conduta, pois creio que ninguém está imune a não reproduzi-la em algum momento da vida.
A distorcida imagem que a maioria tem em relação às mulheres (e aos homens também) é fruto de um contexto socio-cultural sexista limitador, que acaba inflitrando-se na mente sem que @ don@ do cérebro muitas vezes se dê conta. Portanto tenha certeza que o modelo de virilidade masculina não é uma invenção de feministas paranóicas…
Esse padrão e seu antagonista (o feminino) são repetidos todo santo dia pelos meios midiáticos que não têm nenhuma preocupação com o bem-estar social, somente focados em seus dividendos.
É claro que a mídia não é a única responsável em fomentar o machismo e mil e outros tipos de preconceitos, mas ela exerce grande influência sobre as pessoas. Duvida? Então por que será que existe gente que compra tal coisa só para ficar parecida com a fulaninha da novela das 9? E por que diabos um cidadão quer um carro lindão da publicidade que corre à 300 km/h, sendo que a velocidade máxima permitida é de 120 km/h em algumas estradas? Ou pior… E a pessoa quer um possante desse para dar rolês na cidade de São Paulo?!
Não vou nem responder. Lanço essas perguntas para vocês refletirem (e também racharem o bico).
Há um documentário, dirigido por Jennifer Siebel Newsom, bem interessante e polêmico que trata justamente sobre como a imagem feminina é retratada na mídia dos EUA – coisa que o pessoal daqui adora imitar – e de como essa concepção equivocada é um empecilho à luta pelo empoderamento das mulheres daquele país.
Estou falando do premiado Miss Representation.
Recomendo.
Bom… Agora, para encerrar o post, deixo vocês na companhia de P!nk e o seu incisivo Stupid Girls, que demonstra de forma bem-humorada como essa cultura idiotiza e inibe as moças de conseguirem um lugar ao sol.
Até.
Cada vez que você respira… pela Internet
Publicado; março 30, 2012 Filed under: Música, Opinião | Tags: Every Breath You Take, Gary Lightbody, Olhos de ressaca, Platão Seu Feio, Stalker, The Police, Tumblr Leave a comment »Um comportamento, que sempre existiu, advindo de mentes descompensadas – e até psicóticas – dos apaixonad@s encontrou o seu espaço no meio virtual, que acabou recebendo um nome vindo da língua inglesa: stalk (ou estalquear em sua versão abrasilerada). Os praticantes do stalk, portanto, ganham a alcunha de stalker.
O stalk é muito comum, mas isso não significa que possa ser considerada como uma atitude lá muito saudável, de pessoas com maturidade emocional completa (estou para conhecer uma dessas…).
Por algumas vezes senti que poderia me enquadrar nessa categoria, pois nunca consegui me encaixar em nenhum padrão de normalidade mesmo. E também, como vivi boa parte da vida em paixões solitárias e sem futuro e que ainda por cima fazia total questão de manter firme como uma rocha, seguir cada rastro que o amado deixa na Internet ou qualquer outra mídia era o que me restava a fazer.
Perseguir os passos do indivíduo net afora é muito dolorido para mim, porque já é muito difícil estalquear quando já se tem contato com aquela pessoa diária ou eventualmente; imagina quando essa pessoa nem sabe da sua existência na Terra, morando do outro lado do Atlântico, e você ainda está lá perdendo seus preciosos minutos acompanhando cada passo que ele (ou ela) dê, por exemplo, no Tumblr? Pois é, essa é minha vida… esse é o meu mundo. Mas não para a minha alegria.
Não sei se a sensação que tenho seja única, mas parece que a pessoa joga sem querer cacos de vidro por onde ela passa, e eu estou pisando pelo seu mesmo caminho descalça. Qualquer coisa que ele faz me fere tanto quanto uma lasca de vidro enterrada na planta do meu pé. O meu Brightside de Olhos Verdes (The Killers e Shakespeare: ‘Tamo’ junto!) urra sem a menor necessidade, mesmo sem o menor sinal de “perigo”. Enquanto a pessoa está vivendo sua vida, eu estou renunciando a minha, embasada em devaneios e impulsos que sempre me estagnavam no cocô. Simplesmente um horror que eu não desejo nem para o ser humano mais desgracento do planeta.
Mesmo que eu conheça a origem de todas as minhas sensações e consiga identificá-las com exatidão, não é certeza de que eu possa contê-las.
Hoje me sinto muito fodona por ter conseguido discorrer sobre esse assunto com alguma lucidez. Amanhã já não estou certa de como que estará o ponteiro no meu nível de fodice e de quando que o impluso do tenho-que-entrar-no-Facebook-pra-ver-as-atualizações-do-Tumblr-do-lindo-senão-eu-faleço irá aparecer. E assim vou tocando essa rotina infernal que sabe se lá quando vai ter fim…
Agora fiquem com a melô da minha realidade atual, cantada por um vocalista que adorava tomar banho em reservas indígenas da Amazônia brasileira (como esquecer, né?)… Com vocês, The Police com o hit oitentista Every Breath You Take.
Baby, you’re a firework!
Publicado; março 19, 2012 Filed under: Música, Opinião | Tags: Auto-estima, Escolhas, Firework, Katy Perry, Sentimentos Leave a comment »Auto-estima… essa danada!
Danada que nem todxs aprenderam a cultivar. E mesmo para àqueles que façam isso periodicamente se recordando de sua importância no planeta, não significa que ela não se desfaça devido à poderosa influência externa de que você não pode ser feliz sem ter algo mais. Um “algo” que ninguém exatamente sabe o que de fato é.
Mas para essas pessoas, a auto-estima se regenera e nunca fica eternamente aos frangalhos.
Até esses que são considerados como fortes caem, mas eles, como ninguém, sabem levantar a si mesmos com facilidade sem ter vergonha de sua queda cíclica.
Se você acha que não se enquadra nessa categoria de vencedores, lembre-se que as suas palavras têm valor equivalente à de qualquer outra pessoa.
Se você faz coro a quem te odeia, as palavras deles (as) vão se igualar a deles e se tornar um axioma. Então… até quando você vai parar de ajudar os outros com sua própria destruição, ao invés de se ajudar a se reerguer (mesmo que esse tipo de processo pareça interminável)?
Temos um show pirotécnico dentro de nós que está a espera para ser iniciado… É só se permitir verdadeiramente para que ele comece.
BOOM, BOOM, BOOM!
Não me dê rosas. Dê-me respeito!
Publicado; março 8, 2012 Filed under: Feminismo, Música, Opinião | Tags: Dia Internacional da Mulher, Flores, Questão de gênero, Sexismo, Titãs Leave a comment »Hoje é dia de ganhar rosas (verdadeiras ou falsas), piadinhas machistas que sempre oscilam em uma escala de babaquice inacreditável e muitos “parabéns” (verdadeiros ou falsos também).
Está tudo muito lindo (#not), tudo muito bom… mas o 8 de Março não é só um dia de comemoração por tudo que já foi conquistado para a igualdade entre mulheres e homens, mas também é um dia para refletir aquilo que ainda não foi alcançado.
Para aqueles que creem que já são suficientes todos os direitos e deveres adquiridos às mulheres e que temos privilégios até por demais, pensem novamente.
Reflitam, pois que privilégios têm as humanas que são enquadradas em categorias desumanizantes que variam entre uma figura santificada à uma demoníaca, sem meio-termo, utilizando sua sexualidade como algo perjorativo para atacá-las? Que regalias há para as humanas que não têm autoridade dos seus próprios corpos, sendo eles muito mal-representados, somente como estímulo para vender bugigangas e satisfazer o desejo alheio?
E para as que são feitas de saco de pancadas todos os dias por motivos absurdos? As que são vistas como as únicas culpadas de suas desgraças? E as que ganham menos para fazer a mesmíssima merda que os homens fazem? Elas todas têm privilégios mesmo?
A cruel mas, infelizmente, verdadeira citação de que “hoje é o dia da mulher, mas os outros 365 dias do ano são dos homens” é capaz de responder com maestria todos os questionamentos anteriores, pois o tempo em que todos os anos (bissextos ou não) serem de tod@s ainda é uma maravilhosa utopia que eu não faço cerimônia em tentar atingi-la.
[UPDATE] O imbróglio ECAD terminou!
Toca o som aí, DJ!
Um inimigo que se faz de invisível
Publicado; março 1, 2012 Filed under: Feminismo, Música, Opinião | Tags: Mama África, Olhos Coloridos, Racismo, Sandra de Sá, Sexismo Leave a comment »Continuando a comentar sobre o thriller cabeludão de pesquisas que o Google direciona ao meu blog…
A situação só piora, pois o nível dos termos são cada vez mais de foder com vida. Estou com medo até de citá-los.
E ainda por cima, o brilhante WordPress não libera a utilização de FTP (talvez para prosseguir sendo um serviço FDP mesmo) para a inserção de um lindíssimo robots.txt feito com muito carinho que poderia evitar essas porras de termos assombrassem este humilde canto virtual de novo.
Apesar dessas coisas (e outras mais) me fazerem ficar fincada no mundo da Lua e bater recordes de palavrões e lamentações por parágrafo, tento manter contato com a Terra através do texto seguinte. Então vamos ao dito cujo…
A polêmica entre os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira fez com que a ferida enorme e aberta do racismo fosse novamente descoberta dos panos do status quo, que conta com a colaboração de palpiteiros e alguns sociólogos de plantão que adoram gastar salíva dizendo que ela foi cicatrizada com uma cara-de-pau impressionante. Impossível até de ser lustrada pelos melhores óleos de peróba do mercado.
Digo “cara-de-pau” porque o termo “desonestidade intelectual” parece ser muito pouco para descrever o cinismo dessa gente. E se eu sou lunática, então esse povo não pertence a nossa galáxia!
Ouviram, Mulder e Scully?! Só não esqueçam da minha delação premiada, beleza?
Quem convive com pessoas declarada e/ou veladamente racistas sabe que democracia racial nesse país é, infelizmente, uma falácia usada para perpetuar e ignorar as necessidades de igualdade e oportunidades aos negr@s brasileir@s em vários setores de nossa sociedade.
Creio que uma grande maioria sinta e saiba que preconceito racial explícito, por mais que apareça em um surto de honestidade de alguém, seja uma coisa horrorosa e ilegal. Ok. Quando o racismo mostra sua verdadeira face, ele fica muito mais “supimpa” de se reeprender, não é verdade? Mas e quando ele vem em forma de piadas, de concepções ridículas tidas como verdades absolutas como, por exemplo, aquela história de que o cabelo crespo é “ruim”? Esse é o racismo velado, super arraigado, frequente e naturalizado em nossas mentes, seja você negr@ ou não.
Por isso que quando alguns leem postagens que denunciam a ditadura da chapinha e escova progressiva com direito a muito formol, acham que isso não passa de ladainha, deixando o seu Titanic de ignorância passar por cima do problema sem se dar conta de que essa questão do cabelo é a ponta de um iceberg bem cabuloso.
Interessante como esse desprezo ao cabelo crespo e às outras características fenotípicas do negr@s interligam racismo ao sexismo, porque você, como um(a) excelente observador(a), também conseguirá sem dificuldades notar o etnocentrismo do patrão de beleza vigente “em favor” de mulheres brancas, loiras, de cabelos lisos e olhos azuis.
Com a observação anterior não pretendo praticar o tal do “racismo reverso” (tese da mentalidade binária de Danilo Gentili) e condená-las por terem nascido do jeito que o deus-mercado quis, pois essa atitude intolerante seria tão absurda como a do “racismo legítimo”. Tento não criticar pessoas, mas sim ideias e comportamentos equivocados.
Sei que é chato ficar se policiando o tempo todo e ganhar a bendita alcunha de “politicamente correto”, mas mais desgradável ainda seria apenas admitir seu preconceito sem mover uma palha para combatê-lo, deixando que ele faça mais estragos por aí.
Contribua para que o preconceito racial saia de sua falsa invisibilidade para termos mais chance de vencê-lo.
Mama África agradece.
Humanidade não tem preço
Publicado; fevereiro 23, 2012 Filed under: Feminismo, Música, Opinião | Tags: Consumismo, Dica, Escolhas, Jessie J, Price Tag, Sentimentos Leave a comment »Apesar de estar meio puta da vida com a reação natural que tive ao ler “Gary Lightbody tem namorada” nas pesquisas direcionadas ao meu blog, darei prosseguimento à ideia do post que gostaria de escrever para essa semana.
Deparei-me nesses dias com o mundo que considero quase como real. Digo “quase” porque as prioriedades desse tal mundo poderiam perfeitamente ficar em último plano.
Carros de luxo, pessoas que parecem que acabaram de sair de um Photoshop, roupas e maquiagens da moda, etc.
Como me enganei achando que as coisas materiais tapariam o buraco do meu vazio existencial, zeus! Pensava que batons da MAC colocariam o sorriso no meu rosto pelo resto da eternidade e que os tênis da Nike me fariam trilhar o caminho da felicidade…
Não duvido que todas essas parafernalhas realmente façam alguém feliz, mas comigo isso não funcionou pois o consumismo desviava a minha atenção de resolver questões pessoais que o dinheiro jamais poderia comprar, e entre elas estava a minha humanidade. Sentia-me menos que um pedaço de merda por, muitas vezes, não ter aquele sapato lindo do comercial de TV que todas as outras mulheres que conhecia usavam e quando constatava que não teria grana para adquiri-lo, parecia que a descarga tinha sido apertada para eu ser levada diretamente ao esgoto das consequências do capitalismo para os menos afortunados.
Não estou dizendo aqui que daqui em diante devemos rasgar dinheiro. Só digo que o acúmulo dele não vai tornar ninguém um ser humano melhor que outros. Ele não fará seus problemas virarem pó se não lidar com sentimentos que te afligem primeiro. O preço da conscientização de que você, como qualquer outro ser, tem importância é alto, porém o custo-benefício é muitíssimo válido.
Agora com vocês, Jessie J e seu recadinho em formato de música complementar deste texto: Price Tag.
Drowning in your hangover eyes
Publicado; fevereiro 13, 2012 Filed under: Música, Opinião | Tags: Desabafo, Dom Casmurro, Gary Lightbody, In The End, Machado de Assis, Meus não tão queridos diários, Olhos de ressaca, Platão Seu Feio, Rock in Rio IV, Sentimentos Leave a comment »Machadão, perdoe-me por fazê-lo rolar em seu túmulo, mas não pude resistir em lhe pegar emprestado umas das célebres citações de Dom Casmurro: olhos de ressaca.
Pincei-a de sua Magnum Opus porque ela descreve perfeitamente a sensação de ser arrastad@ sem prévio aviso por um olhar que não tem culpa de ter nos tragado.
Mas, na contramão da sorte de Bentinho, o olhar ao qual me refiro nunca me viu. No entanto, a tecnologia que temos em mãos atualmente auxiliou em me afogar nestes olhos que se assemelham à força das tormentas mais tempermentais de que se houve notícia. Uma força aterradora movida por mim mesma.
Estive em meio a muitas ressacas desde muito nova, porém não sei mensurar direito se o poder de suas águas foram menos ou mais intensas do que essa que presencio agora. Só sei simplesmente que estava entre elas, entre a aflição causada por essas águas revôltas diante de suas grandezas e, ao mesmo tempo, chafurdada no alívio que essas ressacas proporcionam por nos anestesiar de nossa morte iminente, a morte para a realidade que vivemos.
A idade chegou, mas ela não me livra de se deixar levar por uma linda correnteza azul que envolve em seu charme tantas outras “vítimas”. Todavia, a idade me oferece macetes, talvez oxigênio, que infelizmente não consigo utilizar por muito tempo. A imaturidade e a vergonha parecem ser mais outros compostos químicos nessas águas, além dos manjadíssimos H2O aprendidos na escola. Os que me apontam esses elementos vão apenas chover no molhado que já estou mergulhada, não sendo nem um pouco originais.
Necessito retornar à orla. Não desejo cruzar com as garrafas pet retiradas dela, mas nesse caso querer não é poder.
Por ironia do destino, o dono dos olhos de ressaca passaram pela sua cidade natal, caro Machadão. Porém eles me puxaram para dentro deles bem depois de fitar a beleza do Rio de Janeiro.
O efeito desses olhos em mim é particular e, estranhamente, público, pois reconheço que não sou a única que me afogo num mar hostil. Há várias ressacas por aí, de todos os tipos… A minha ainda vem acompanhada de uma voz que me faltam elogios para descrevê-la.
O pouco de ar que me resta me dá a certeza de que a ressaca vai passar, assim como mar bravo não-metaforizado que cede seu lugar à calmaria.
A conferir, como sempre…

